Um militar da reserva pretende quebrar o silêncio de décadas e fazer uma
revelação histórica: a localização de 22 corpos de desaparecidos
políticos e ex-guerrilheiros, assassinados pelo Exército e enterrados na
região do Araguaia. A notícia será levada na quinta-feira para a juíza
federal Solange Salgado, em Brasília, por grupo de familiares de
desaparecidos. A chamada ‘Operação Limpeza’ dos militares à época deu-se
em três locais na Serra das Andorinhas. O militar, cujo nome não foi
revelado, está disposto a depor em juízo e levar as famílias ao local,
mas com sob sigilo. Teme ser morto.
Fonte: http://www.revistavoto.com.br/site/noticias_interna.php?id=5009&t=Esplanada_Militar_quer_revelar_localizacao_de_corpos_no_Araguaia
"A luta por Justiça e Direitos Humanos" - Ponto de Cultura "MEMÓRIAS DO ARAGUAIA"
terça-feira, 11 de março de 2014
sexta-feira, 15 de março de 2013
Justiça bloqueia bens de quadrilha que desviou R$ 30 milhões do Pronaf
A Justiça Federal bloqueou os bens de 39 pessoas acusadas de integrar uma
quadrilha responsável pelo desvio de R$ 30 milhões em recursos do Pronaf
(Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e do FNO (Fundo
Constitucional de Financiamento do Norte).
Segundo o MPF (Ministério Público Federal) no Pará, o grupo atuava no sudeste
paraense utilizando um megaesquema de fraudes que envolvia funcionários
públicos, empresas de assistência técnica, sindicatos e revendedores de produtos
agrícolas. A juíza federal Nair Cristina Corado Pimenta de Castro determinou
bloqueio de R$ 17 milhões em bens dos acusados.
De acordo com os procuradores da República Luana Vargas Macedo e Tiago
Modesto Rabelo, a quadrilha foi desbaratada em maio de 2010. A operação
Saturnos, conduzida pela PF (Polícia Federal) com o apoio do MPF, resultou em 14
prisões.
As investigações em 2008 a partir de depoimentos de pessoas enganadas pela
quadrilha. Com a desculpa de obter indenizações para trabalhadores rurais
prejudicados pela repressão da ditadura militar à guerrilha do Araguaia,
integrantes do grupo criminoso conseguiam os documentos desses trabalhadores, a
grande maioria dos municípios de Eldorado dos Carajás e Parauapebas.
Em seguida, dirigentes sindicais participantes do esquema emitiam falsas
declarações de aptidão ao Pronaf, documento utilizado para identificar
agricultores familiares aptos a receberem os créditos.
Além de sindicatos, a Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão
Rural) também é legalmente autorizada a emitir essas declarações. A investigação
teria apontado que a Emater de Parauapebas também expediu declarações
irregulares.
Os dados das vítimas eram utilizados por empresas de assistência técnica e
extensão rural na elaboração de projetos para aplicação dos créditos,
principalmente os do Pronaf. Técnicos dessas empresas assinavam atestados falsos
de vistoria nos imóveis rurais.
Os falsos projetos de financiamento eram então enviados a agentes do Banco da
Amazônia, do Pronaf e do FNO envolvidos nas fraudes. Todos os documentos eram
aprovados, sem qualquer vistoria em campo.
O sistema criminoso também contava com a participação de funcionário de
empresa contratada pelo Iterpa (Instituto de Terras do Pará) para mapear
fazendas e assentamentos da região de Parauapebas, que vendia para a quadrilha
croquis falsos das propriedades rurais a serem beneficiadas com recursos do
Pronaf.
Quando o grupo precisava de documentos falsos que atestassem a existência de
gado, era a vez de funcionários da Adepará (Agência de Defesa Agropecuária do
Estado) entrarem em cena, emitindo Guias de Transporte Animal (GTAs) e laudos de
vacinação falsos.
Se os criminosos quisessem notas fiscais frias, empresas fornecedoras de
insumos agropecuários ajudavam. Se precisassem de CPFs falsos, também tinham o
apoio de funcionário dos Correios em Curionópolis. Durante as investigações,
auditoria realizada pelo Banco da Amazônia calculou que os prejuízos aos cofres
públicos totalizaram mais de R$ 30 milhões.
Fonte: http://www.fatimanews.com.br/noticias/justica-bloqueia-bens-de-quadrilha-que-desviou-r-30-milhoes-do-pronaf_144880/
quinta-feira, 14 de março de 2013
Corte Interamericana de Direitos Humanos se reúne com ministro da Justiça
Brasília - O presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o peruano Diego García-Sayán, foi recebido hoje (14) pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, num encontro, segundo declarou, que teve por objetivo esclarecer 'o verdadeiro papel' do organismo. Ele defendeu que a Corte "não é um tribunal penal, mas se destina a supervisionar o cumprimento da Convenção dos Direitos do Homem", que por sua vez tem competência de caráter contencioso e consultivo.
Em entrevista que concedeu no Ministério da Justiça, García-Sayán se negou a opinar sobre
questões polêmicas ligadas à área dos direitos humanos no Brasil e em outros países, como as condenações ou absolvições
de pessoas envolvidas com a Guerrilha do Araguaia. Ele também não comentou a
repercussão na imprensa de que o novo papa argentino Francisco I não fez
oposição à ditadura Argentina em décadas passadas.
O presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos destacou que o
colegiado só se posiciona sobre casos quando toda a fase de recursos de uma
questão está esgotada. Segundo ele, a corte colhe informações [na área dos
direitos humanos] e produz com base nisso, as denúncias públicas, "como lhe cabe
fazer". A corte, completa ele, supervisiona o cumprimento das sentenças
decididas pela Justiça dos países que referendaram a Convenção Americana sobre
Direitos Humanos. García-Sayán vai se reunir também com o presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, mas não adiantou os assuntos
que vai tratar.
Fonte: Agência Brasil
domingo, 6 de janeiro de 2013
ATGA e os desafios de 2013!
Neste 2013 que se inicia, grandes são os nossos desafios.
Inicialmente, temos que retomar a batalha junto a Comissão de Anistia, tendo em vista a retomada dos julgamentos de processos junto aquele órgão, observando o tempo de aguardo e a expectativa em que perdura sobre as centenas que ainda aguardam o crivo dos conselheiros acerca dos resultado a ser obtido com os julgamentos dos mesmos, o que defenderemos a realização de uma caravana da anistia o quanto antes aqui na região, para que possamos ter a continuidade do que fora construído ao longo de vários anos de lutas e algumas conquistas, o que necessitamos de retomada imediata neste 2013.
Temos ainda, uma tarefa importante a implementar que é a instalação do TELECENTRO BR que já se encontra nas dependências da sede provisória da ATGA, mas o impedimento é a definição acerca da continuidade ou não da sede no mesmo local. Pois dependemos da definição do atual Prefeito acerca da renovação da parceria anteriomente mantida pela gestão municipal. E pra nossa tristeza, a manifestação inicial do Prefeito é de que não tem condições de estabelecer a referida parceria no momento, nos deixando em maus lençóis. Mas buscaremos novos parceiros para nos auxiliarem a montar o referido Telecentro Br que é composto de 11 computadores completos e outros equipamentos, cujo objetivo é proporcionar a inclusão digital através do acesso a internet e cursos de informática gratuitos para a comunidade. Além do Ponto de Cultura Memórias do Araguaia, que é um projeto em execução pela ATGA, que também dispõe de computadores e mobiliário e que necessita de espaço para o seu êxito. Enfim, estamos sem sede a partir deste mês de Janeiro/2013. Mas a luta é mais importante do que qualquer parceria, temos vigor e buscaremos a sobrevivência de qualquer modo.
Aqui fazemos um apelo, caso alguém tenha interesse em contribuir e/ou colaborar para o êxito destes projetos e para a revigoração da memória e a continuação da valorização da memória e da cultura histórica relacionada à luta que temos travado ao longos dos anos, que nos ajude, pois será um grande gesto e que louvaremos a contento.
Que façam doações para a nossa entidade através da nossa conta bancária:
Banco do Brasil S/A.
Agência: 4116-5
Agência: 4116-5
C/C: 14.440-0
CNPJ: 07.923.761/0001-64
Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia
Desde já agradecemos e esperamos manifestações de apoio, seja de qualquer parte do país, todas serão bem vindas.
Att.
A Diretoria da ATGA.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Camponeses do Araguaia criam sua própria Comissão da Verdade
Durante a realização da Audiência Pública da Comissão Nacional da Verdade, que foi fruto de uma articulação envolvendo o Comitê Paraense de Memória, Verdade e Justiça e a Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia - ATGA, foi anunciada pelo Presidente da ATGA a criação da COMISSÃO DA VERDADE DOS CAMPONESES DO ARAGUAIA, que funcionará no âmbito da referida associação e está regulamentada, conforme a portaria nº 001/2012 - ATGA.
| Sezostrys, João de Deus, Lauro e Mário - 5 dos 7 membros da Comissão |
PORTARIA
Nº 001/2012 - ATGA.
Cria a Comissão da Verdade
dos Camponeses do Araguaia no âmbito da Associação dos Torturados da Guerrilha
do Araguaia e dá outras providências.
O
PRESIDENTE DA ATGA faz saber que a Diretoria da Associação dos
Torturados da Guerrilha do Araguaia aprovou e eu torno público a seguinte
portaria:
Art. 1o Fica criada, no âmbito da
Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia, a
Comissão da Verdade dos Camponeses do Araguaia, com a finalidade de examinar e
esclarecer as violações de direitos humanos praticadas no período entre 1970 e
1988, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e auxiliar na
reconciliação nacional e fortalecimento da democracia.
Art. 2o A Comissão da
Verdade dos Camponeses do Araguaia, será integrada por 7 (sete) membros, todos
com relação direta à luta em prol dos camponeses do araguaia, sendo eles:
SEZOSTRYS ALVES DA COSTA, que presidirá a Comissão; LAURO RODRIGUES DOS SANTOS,
que será Secretário; MÁRIO BRITO DOS SANTOS; JOÃO DE DEUS NAZARO DE ABREU; JOSÉ
MORAES SILVA e ABEL HONORATO DE JESUS.
§ 1o A participação na
Comissão da Verdade dos Camponeses do Araguaia é considerada serviço público
relevante e portanto não remunerada.
Art. 3o São objetivos da Comissão
da Verdade dos Camponeses do Araguaia:
I - buscar promover o esclarecimento
circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação
de cadáveres e suas autorias quando possíveis;
II - esclarecer os fatos e as circunstâncias dos
casos de graves violações de direitos humanos mencionados ocorridos durante e
depois da Guerrilha do Araguaia;
II - subsidiar de forma mais consistente a
Comissão Nacional da Verdade acerca da questão relacionada aos camponeses no
atingidos direta ou indiretamente pela Ditadura durante a Guerrilha do
Araguaia;
III
- produzir um relatório que contemple todos os acontecidos envolvendo os
camponeses e ao final vamos apresentar esse documento para a Comissão Nacional
da Verdade para que ela possa concluir seu relatório;
III - buscar identificação e tornar públicos as
estruturas, os locais, as instituições e as circunstâncias relacionados à
prática de violações de direitos humanos relacionados à Guerrilha do Araguaia e
suas eventuais ramificações nos diversos aparelhos estatais e na
sociedade;
IV - encaminhar aos órgãos públicos competentes
toda e qualquer informação obtida que possa auxiliar na localização e
identificação de corpos e restos mortais de desaparecidos políticos na
Guerrilha do Araguaia;
V - colaborar com todas as instâncias do poder
público para apuração de violação de direitos humanos;
VI - recomendar a adoção de medidas e políticas
públicas para prevenir violação de direitos humanos, assegurar sua não
repetição e promover a efetiva reconciliação nacional; e
VII - promover, com base nos informes obtidos, a
reconstrução da história dos casos de graves violações de direitos humanos, bem
como colaborar para que seja prestada assistência às vítimas de tais violações
ocorridas por consequência da Guerrilha do Araguaia.
Art. 4o Para execução dos
objetivos previstos no art. 3o, a Comissão da Verdade dos
Camponeses do Araguaia poderá:
I - receber testemunhos, informações, dados e
documentos que lhe forem encaminhados voluntariamente, assegurada a não
identificação do detentor ou depoente, quando solicitada;
II - requisitar informações, dados e documentos de
órgãos e entidades do poder público, ainda que classificados em qualquer grau
de sigilo;
III - convidar, para entrevistas ou oitivas, todos
os camponeses que possam guardar e contribuir em qualquer relação com os fatos
e circunstâncias examinados;
IV - buscar parceiros para a realização de perícias
e diligências para coleta ou recuperação de informações, documentos e
dados;
V - promover audiências públicas por toda a região,
afim de cumprir os objetivos estabelecidos;
VII - realizar parcerias com órgãos e entidades,
públicos ou privados, nacionais ou internacionais, para o intercâmbio de
informações, dados e documentos; e
VIII - requisitar o auxílio de entidades e órgãos
públicos.
§ 1o A Comissão da Verdade
dos Camponeses do Araguaia poderá requerer ao Poder Judiciário acesso a
informações, dados e documentos públicos ou privados necessários para o
desempenho de suas atividades.
Art. 5o As atividades
desenvolvidas pela Comissão da Verdade dos Camponeses do Araguaia serão
públicas, exceto nos casos em que, a seu critério, a manutenção de sigilo seja
relevante para o alcance de seus objetivos ou para resguardar a intimidade, a
vida privada, a honra ou a imagem dos camponeses.
Art. 6o Observadas as
disposições da lei
12528/2011, a Comissão da Verdade dos Camponeses do Araguaia buscará
atuar de forma articulada e integrada com os demais órgãos públicos,
especialmente com o Arquivo Nacional, a Comissão de Anistia, criada pela Lei no 10.559, de 13
de novembro de 2002, e a Comissão Especial sobre mortos e
desaparecidos políticos, criada pela Lei no 9.140, de 4
de dezembro de 1995 e com o Grupo de Trabalho Araguaia, criado pela Portaria
Interministerial nº 1.102, de 05 de Junho de 2012.
Art. 07. A Associação
dos Torturados da Guerrilha do Araguaia proporcionará, seja por
meio próprio ou através de parcerias, o suporte técnico, administrativo e
financeiro necessário ao desenvolvimento das atividades da Comissão da Verdade
dos Camponeses do Araguaia.
Art. 08. A Comissão da Verdade dos Camponeses
do Araguaia terá prazo de 1 (um) ano, contado desta data, para a conclusão dos
trabalhos, devendo apresentar, ao final, relatório circunstanciado contendo as
atividades realizadas, os fatos examinados, com as conclusões e recomendações à
Comissão Nacional da Verdade.
Parágrafo único. Todo o acervo documental e
de multimídia resultante da conclusão dos trabalhos da Comissão da Verdade dos
Camponeses do Araguaia deverá também, ser encaminhado ao Arquivo Nacional para
integrar o Projeto Memórias Reveladas.
Art. 09. Esta portaria
entra em vigor na data de sua publicação.
Marabá/PA, 17 de novembro de 2012.
SEZOSTRYS ALVES DA COSTA
Presidente
da ATGA
Registre-se,
publique-se e cumpra-se.
domingo, 18 de novembro de 2012
Comissão ouve depoimentos de indígenas e trabalhadores rurais
Três índios da aldeia Sororó e seis moradores do campo foram ouvidos.
Neste domingo, 18, serão colhidos depoimentos de ex-soldados do exército.
Em Marabá, sudeste paraense, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) ouviu depoimentos de indígenas e trabalhadores rurais na tarde do sábado (17). O grupo veio ao Pará em missão para investigar crimes de tortura, morte e ocultação de cadáver relacionados a indígenas e camponeses cometidos durante a guerrilha do Araguaia.
Segundo a CNV, durante audiência púlica realizada em Marabá, relatos de
moradores de áreas rurais e de índios Suruí do Pará, da etnia Aikewara,
registraram casos de tortura, assassinatos e pessoas forçadas a
perseguir guerrilheiros contra a própria vontade.
As histórias relatadas aconteceram durante o período da ditadura
militar (1964-1985) em que o regime realizou a campanha de extermínio da
guerrilha do Araguaia, grupo armado de oposição à ditadura que atuou na
região.
Camponeses da região do Araguaia e indígenas Suruí participaram da
audiência, organizada em parceria com o Comitê Paraense de Memória,
Verdade e Justiça e a Associação dos Torturados da Guerrilha do
Araguaia, que teve como objetivo tornar públicas e visíveis as violações
de Direitos Humanos ocorridas na região. Três índios da aldeia Sororó e
seis moradores do campo deram seus depoimentos para a Comissão Nacional
da Verdade e para as mais de 200 pessoas que lotaram o plenário da
Câmara Municipal de Marabá, local onde aconteceu a audiência.
Representante da CNV no evento, a psicanalista Maria Rita Kehl destacou
que a principal função dessa e de outras audiências públicas que a
comissão está realizando em todo o país é dar visibilidade às histórias
de violações de direitos humanos que ficaram escondidas na história. “O
importante é que essas pessoas falem aos outros brasileiros, para que
todo mundo conheça as histórias que ficaram guardadas e se divulguem por
todo o país os abusos contra aqueles mais vulneráveis, que são os
camponeses e os indígenas.”
Já no domingo (18), o grupo irá ouvir depoimentos de três ex-soldados
que atuaram na repressão a militantes de esquerda e de pessoas
contrárias ao regime no Araguaia. Esses depoimentos podem ajudar a
esclarecer como funcionava a organização militar, quais eram as
estruturas e quais ordens eram enviadas a essa parte do Brasil durante a
época da repressão.
Grupos criam Comissão da Verdade
Durante a audiência do último sábado (17), o presidente da Associação de Torturados da Guerrilha do Araguaia Sezostrys Alves anunciou a criação de uma Comissão da Verdade dos Camponeses do Araguaia, que será composta por sete pessoas ligadas à defesa dos direitos dos camponeses e presidida pelo próprio Sezostrys.
Na sexta-feira (16), a Comissão Nacional da Verdade esteve na Terra
Indígena Sororó participando da reunião que oficializou a criação da
Comissão da Verdade Suruí.
Os índios da etnia Aikewara, ou Suruí do Pará, decidiram criar uma
comissão própria para investigar crimes cometidos contra os índios
durante o período da ditadura militar, principalmente no período de
repressão à guerrilha do Araguaia. O grupo será formado por índios das
aldeias Sororó e Itahy, que irão coletar e documentar relatos de
episódios que aconteceram na região durante a época de repressão
militar.
Fonte: http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2012/11/comissao-ouve-depoimentos-de-indigenas-e-trabalhadores-rurais.html
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Marabá sedia audiência pública sobre a Guerrilha do Araguaia
O Comitê Paraense pela Memória, Verdade e Justiça e a Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia (ATGA) realizam na próxima sexta-feira (16) e sábado (17), em Marabá, no Pará, uma audiência pública da Comissão Nacional da Verdade. O evento busca o restabelecimento da verdade em relação aos atos de torturas, desaparecimentos e mortes praticados por agentes da ditadura militar na região durante a repressão à Guerrilha do Araguaia (1972-1975).
Além da participação de camponeses, indígenas e militantes de direitos humanos, integrarão o encontro os representantes da Comissão Nacional da Verdade, Maria Rita Kehl, Claudio Fonteles e Paulo Sérgio Pinheiro. A convite dos organizadores da atividade, a jornalista Mariana Viel, editora de Brasil do Portal Vermelho, viaja até a cidade paraense para acompanhar os relatos e os resultados da reunião.
Em entrevista ao Vermelho, o representante do PCdoB no Grupo de Trabalho Araguaia (GTA) e um dos organizadores do encontro, Paulo Fonteles Filho, explica que o processo de construção da audiência começou em setembro deste ano — durante o evento realizado em Belém para apuração da repressão política na capital paraense. Desde então, foram promovidos encontros em diversas cidades para mobilizar os moradores locais. “Estamos percorrendo a região e já realizamos grandes reuniões na Palestina do Pará, Boa Vista do Araguaia e São Geraldo. Os camponeses estão bem mobilizados para a atividade”, afirma.
Segundo o presidente da Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia, Sezostrys Alves da Costa, que também integra a coordenação do evento, a colaboração dos camponeses do Araguaia nos trabalhos de esclarecimento dos crimes cometidos por militares na região tem tido grande destaque. “Além de termos enviado aos membros da CNV vários depoimentos de ex-soldados sobre o processo das Operações Limpeza, colocamos camponeses atingidos pela repressão política naqueles dias de chumbo em contato com Maria Rita Kehl [representante da comissão] quando ela esteve aqui para acompanhar o Grupo de Trabalho Araguaia (GTA) em outubro deste ano”.
Um dos focos da reunião deste final de semana será a questão dos índios Suruís, que também foram fatalmente atingidos pela repressão. Há relatos de que eles foram obrigados a servir as tropas oficiais como mateiros e que muitas mulheres foram vítimas de violência sexual. “O interessante nos Suruís, que quase desapareceram nos anos de 1960 e 1970, são suas novas lideranças, como é o caso dos caciques Elton e Mairá, bastante jovens, com bom nível político e absolutamente comprometidos com a causa de seu povo”, conta Sezostrys.
“Acontece que a questão dos indígenas no país durante a ditadura permanece como algo invisível. Só agora vamos tomando noção dessas questões, como é o caso dos Waimiri-Atroari, no Amazonas. Segundo denúncias recentes, mais de dois mil índios desapareceram, fruto da utilização de bombardeios de napalm e de agente laranja, crime hediondo praticado pelos generais que deram a quartelada em 1964”, completa Fonteles.
O principal resultado desta mobilização será a criação da Comissão da Verdade Suruí, a primeira do país do ponto de vista indígena. “Todos os envolvidos naquele processo já foram ouvidos e publicados, até agentes da repressão já escreveram sobre aqueles dias, menos os indígenas. É preciso, inclusive, acessar os arquivos da Funai para a necessária comprovação da militarização da questão indígena durante a ditadura. Infelizmente, nenhum indígena no Brasil teve qualquer reparação econômica, apesar do esforço que têm feito a Comissão da Anistia, do Ministério da Justiça”.
Araguaia
O Grupo de Trabalho Araguaia (GTA) — coordenado pelos Ministérios da Defesa, Justiça e Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, com a participação de familiares, técnicos em diversas áreas, consultores da Unesco, universidades e pelo PCdoB — tem conseguido dar respostas de alto nível a esse clamor nacional sobre a questão dos desaparecidos políticos no Brasil. Tal empreendimento substituiu outro grupo, o Grupo de Trabalho Tocantins, dirigido apenas pelo Ministério da Defesa.
“É preciso que se diga que esse esforço é fruto da decisão corajosa da juíza federal Solange Salgado que obriga a União a localizar e identificar os que tombaram naquela imensa luta libertária. Além disso, há a obrigação de saber como se deram essas mortes e os responsáveis pelo desaparecimento de dezenas e dezenas de brasileiros”, ressalta Fonteles.
Os resultados dos trabalhos de buscas pelas ossadas dos ex-guerrilheiros têm avançado desde início das expedições na região. Em 2009 e em 2010 foram encontradas apenas um despojo humano. Já em 2011 foram localizados cinco restos mortais e em 2012, houve o resgate de nove ossadas nos cemitérios de Xambioá (TO) e São Geraldo do Araguaia (PA), provavelmente guerrilheiros araguaianos.
O trabalho no Araguaia vai revelando um modus-operandi comum na ditadura brasileira, o sepultamento dos desaparecimentos políticos em sítios mortuários, se é verdade isso no Araguaia é verdade também em Vila Formosa (SP). Uma parcela significativa destes lutadores do povo está sepultada nestes locais, no geral como indigentes. Há indicações que levam a vários outros cemitérios, como em Marabá, Belém, Brasília, Araguaína e São Paulo.
Passados 27 anos do fim da ditadura brasileira, o processo de reconciliação do país não tem ocorrido dtranquilamente. Além do silêncio dos agentes que participaram dos brutais assassinatos e das operações para ocultar os restos mortais, ainda hoje militantes de direitos humanos e testemunhas têm sido ameaçados.
“O processo não tem sido tranquilo. Já houve muita pressão. Desde intimidações até o estranho assassinato de Raimundo Clarindo, o “Cacaúba”, ex-mateiro que em maio do ano passado decidiu informar sobre o que sabia e dois meses depois apareceu assassinado na Serra Pelada (PA). Isso depois de uma reunião do Major Curió naquela localidade. Há um ano deixaram uma vela acesa nos fundos da casa em que eu morava em São Domingos do Araguaia. Durante toda a madrugada rondaram aquela casa, comigo e com o Paulo lá dentro”, conta Sezostrys.
Futuro de luta
Para Fonteles, o sentimento rege os envolvidos nesse processo de busca pela verdade é de que a luta está apenas começando e que deverá se projetar para o futuro. “Para se compreender esse processo é preciso ter em mente que a atuação do PCdoB nesta luta procura realizar três tarefas fundamentais e inadiáveis”.
A primeira delas é contribuir para o avanço da Comissão Nacional da Verdade e as informações sobre os acontecimentos no Araguaia. “Nosso Partido, creio, deve atuar para realizar essa tarefa de dimensão democrática. Devemos atuar sempre em defesa da memória e da história para forjar nas futuras gerações a consciência da importância das liberdades democráticas e das conquistas alcançadas até aqui. Vacinar a consciência dos brasileiros é fundamental para que não haja mais golpes, como de 64. Todos os dias a grande mídia, os lacerdistas destes tempos, procuram derrotar os avanços conquistados durante os governos de Lula e Dilma. Nossa atuação deve preconizar a criação de uma espécie de sistema de Comissões da Verdade, em universidades, em empresas públicas, na imprensa, em municípios e estados. Com mais gente debruçada sobre o tema mais avanços teremos”, defende Fonteles.
A segunda tarefa é da reparação econômica dos camponeses e indígenas no Araguaia. “Travamos uma grande luta para suspender a liminar que inviabilizou, por dois anos, a Anistia dos camponeses. Neste tempo, seis anistiados foram a óbito. Tem gente, como os Bolsonaros, que acordam cedo para nos retirar esse direito, já reconhecido pelo governo brasileiro. Então, devemos acordar mais cedo ainda e fazer a luta acontecer. Há mais de duzentos processos em Brasília aguardando julgamento”, lembra Sezostrys. A expectativa para 2013 é de retomada dos trabalhos da Comissão da Anistia e de sua caravana ao Araguaia.
Finalmente, a terceira tarefa apontada por Sezostrys e Fonteles é de localização dos restos mortais dos desaparecidos políticos e realizar o direito secular das famílias de sepultar aqueles heróis, famosos ou anônimos, com as honras de nossa época. “A continuidade do GTA é uma necessidade democrática e decisiva para a realização desta tarefa histórica”.
Da redação
Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=198768&id_secao=1
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